quinta-feira, 29 de março de 2012

Poema esquizofrênico

 


Olá pessoal, bom, esse poema é audível, não lido, vou colocar a letra abaixo, mas peço que vocês, para ouvirem, utilizem fones de ouvido, e fechem os olhos (só para prestar atenção mesmo).

Abraços,

Anderson Rabelo
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Poema esquizofrênico

A palavra assombra os sentidos
dados aos verbos distribuídos
em toda a parte em que os olhos vêem
e a boca profere
e a mão escreve.

aaaaaah!!!
aaaaaah!!!
aaaargh!!!

Animal,
anormal,
vozes,
medo,
esquizofrenia...

Nãããããão!!!

As vozes,
as vozes em mim me assombram ligeiro
me fazendo correr e pular de um penhasco
e no fundo sem fim, ou mesmo esperança
cair sozinho e sem luz.
Palavras, palavras me assustam.

Medo,
medo,
medo...

Shhhhh!!!

Anderson Rabelo

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Casca

Foto tirada do site: http://obviousmag.org/archives/2007/09/vladimir_kush_s.html em 08 de fevereiro de 2012
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Ovo Frito


O mundo gira
e pede de café da manhã, ovo frito.
Separa a gema da clara.
A gema, o mundo joga para o alto.
E a clara, derrama no chão clareando a minha visão.


Anderson Rabelo

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Estrelas




Estrelas


Brincando de brilhar
Brincando de namorar
Fazendo namorados felizes
em noite sem luar.


Anderson Rabelo

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sentimento Sincero



Sentimentos Sinceros


Quando você luta por algo
e vê que algo não te devolve a si,
um vazio te preenche
e o peito explode
e a consciência lhe diz:
- Você é um merda!
Agora pego a faca
e corto meus pulsos.
Pelo menos a morte, 
ainda que espiritual,
é doce.


Anderson Rabelo

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ode aos sono



Ode ao sono


O dia nasce e rezo para que  lua volte.
O som da noite é muito mais gostoso,
o som do nada é muito mais saboroso
e os sonhos que brotam é a tentativa de uma realidade.
nos sonhos, sou muito mais feliz,
na vida, desejo sonhos
e nos sonhos eu vivo a vida.
Ave sonhos cheios de graça!

Anderson Rabelo

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Canto Piu


O canto piu

O pássaro na gaiola
enxerga a liberdade,
voa para alcançá-la
e dá de cara com a grade
e o seu canto '(piu)',
vai emudecendo '(pi )'
até ficar mudo '(p )'
até ficar triste ( )
e morre.

Anderson Rabelo

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Vida dura...



Vida dura

Ele acordou de uma noite longa e difícil. Suas tosses não pararam um minuto sequer. Levantou-se, comeu aquele mesmo pão suado de todas as manhãs que nunca mudara a feição: branco, mole com bastante manteiga tentando substituir o presunto que acabou. Saiu pela única porta do seu pequeno apartamento, ainda ajeitando a gravata, mal dando bom dia ao guarda que toda noite guardava a região. Tomou seu ônibus, chegou ao trabalho, descobriu que a empresa estava em contenção de despesa e o demitiu, saiu atordoado, pegou o telefone e ligou para seus pais, mal havia lembrado que eles haviam morrido há pouco tempo em um acidente no prédio em que moravam devido à falta de manutenção. Andou pela rua, arranjou uns amigos de bar que pagou-lhe as cervejas, ficou bêbado, saiu chamando Jesus de Genésio, eu vi Genésio, Ele não morreu, se curou ao cair numa poça d’água que restara da chuva matinal. Sentou-se ao chão e chorou. Resolveu dar uma guinada na vida, correu para encontrar sua namorada, ao abrir a porta de sua casa, pegou-a com outro. Aquele rapaz, ficou ainda mais atordoado, descobriu-se só. Desceu pelas escadas correndo, esbarrou-se com duas freiras que caminhavam por perto que não tiveram compaixão daquele pobre rapaz e o repreenderam. Ele caminhava sem rumo até cair no chão novamente, só que, dessa vez, sóbrio. Afagou um cãozinho que passava por ali, sujo, que lhe lambera a ferida da mão que cortou na primeira queda e pensou ser aquele bichinho o único que ainda tinha compaixão de sua vida. Lembrou-se que havia guardado uma arma na gaveta de sua escrivaninha velha, resolveu voltar para casa, assim que chegou, pegou a arma, engatilhou, mirou em sua cabeça e click, não haviam balas, pensou em compra-las, mas seu último centavo foi gasto no transporte para seu retorno. Pensou em enforcar-se, mas não suportaria a dor, ele gostaria de ter uma morte instantânea, sem dor, assim, não daria tempo de arrepender-se e ninguém sentiria sua falta. Por falta de dinheiro, restara-lhe apenas um modo de se confortar, deitar em sua cama gelada e chorar até alguém ligar para ele. Quando de repente, o telefone toca.


Anderson Rabelo

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Tente entender...


Tente entender...

Carlos disse Linda eu te amo.
E, assim, eles se amaram mutuamente.

Anderson Rabelo

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Olhar de criança


Olhar de criança

O olhar de uma criança
parece que invade a alma
e descobre tudo o que está acontecendo.

Anderson Rabelo

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Incômodo





Por quê?







Acaba de nascer



Acaba de nascer um novo blog. Falo Mesmo, e aí? A principal proposta desse blog

é que eu possa comentar o que acontece por aí sem precisar me conter muito (só um pouco).

Espero que gostem. Acessem: http://falomesmoeai.blogspot.com/

Abraços,

Anderson Rabelo

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sorte do azar


Sorte do azar

O azar da gente
é a sorte do azar.
Tudo seria mais fácil
se a sorte
não fosse agente duplo.

Anderson Rabelo

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

de aluno a professor


de aluno a professor

Se vestir de professor é atravessar um espelho
sair da cadeira para a mesa
e o engraçado é tentar descobrir o que o aluno pensa.
e esquecer que há pouco, foi aluno também.

Anderson Rabelo

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

coração...


Coração...

Quando eu pego um coração,
não perdôo.
Mordo, degusto, sinto seu gosto deliciosamente em minha boca.
Mastigo vagarosamente e engulo.
Ela nem sente mais dor.
Ah, coração delicioso,
coração que me alimenta a vida.
Coração maravilhoso,
coração de galinha.

Anderson Rabelo

terça-feira, 9 de agosto de 2011

TELEVISÃO BRASILEIRA, GRAÇAS A DEUS?

TELEVISÃO BRASILEIRA, GRAÇAS A QUEM?

Bom, eu sei que a proposta desse blog é divulgar minhas poesias e, ultimamente, tenho escrito conversas fictícias com meus futuros filhos. Porém tive de vir aqui comentar o que tem me incomodado. Antes, porém, preciso me apresentar de verdade.

Como todos já sabem, meu nome é Anderson Rabelo, mas nem todos sabem que sou formado em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Apesar de escrever contos e poesias, não sou da área da Literatura, sou da Linguística e o pior, da sociolinguística e por isso já não suporto mais o que a Televisão vem falando acerca das mudanças que estão acontecendo.

Sempre houve uma luta dos sociolinguistas para revelar que não existe apenas uma Gramática no mundo, mas mais de uma. No tão famoso "Livro do MEC", que quase ninguém sabe o nome, mas se chama "Por uma vida melhor", a autora nos diz que é possível que a pessoa fale: "nós vai à escola", É VERDADE!, ela ainda complementa dizendo que apesar disso ser possível, você não irá utilizar. A Língua é igual a uma roupa, você a utiliza conforme o local que você está. Imagine se você estiver em um ponto de ônibus e pedir que o ônibus te espere para que possas subir de maneira rebuscada. Eu já imaginei isso bem antes desta discussão.

Porém, os "cultos" deste país discutem coisas que não entendem, mexem na ciência sem ao menos ser cientistas da língua e surgem aberrações como as que mostro logo abaixo no vídeo retirado do youtube.


"Chancela para a ignorância que infelicita estamos apontando para o sentido contrário". Sério, amei essa frase. Quero fazer um convite a quem lê esse blog. Assista aos programas da Globo e me digam aqui em comentário, quantos falam a Gramática perfeitinha, do jeito que nos fora ensinado. O próprio Alexandre Garcia não utiliza. A palavra "pra" ainda não existe no nosso dicionário e sim "para". Se formos pensar em utilização da Gramática Normativa pura, isso NUNCA vai acontecer no Brasil. Porém, esta conversa já está esquecida, já humilharam muito a autora do livro "Por uma vida melhor" que pensa apenas em contribuir para o fim do preconceito (global de novela onde somente os broncos falam "errado". Alguém deixou de entender o que o Douglas da novela das nove fala para a Bibi? hummm)

Eu jamais abriria a boca para dizer que um trevo (palavra que indica que existem apenas três folhas) de quatro folhas é um erro da natureza, pelo contrário, é uma variação do que conhecemos. O mesmo ocorre para o Português, não existe "erro" e sim variação.

Fechando esse assunto, vi na semana passada, no Jornal Hoje, a notícia de que os Estados Unidos estaria relativizando o ensino da letra cursiva. Achei que ficariam por aí, mas acordo hoje, ligo a TV para aprender a cozinhar e a cozinheira estava falando de escrita. A pergunta era hilária: "o que será da escrita, meu Deus?" e diziam que o computador dominaria tudo. Colocaram os atores da Globo para escrever (acho que entendi, queriam ver se eles sabiam escrever, se for somente isso, eu desculpo, rsrs) e a própria Ana Maria escreveu num papel também (escrevi "num" e não "em um").

Bom, quando os EUA decidiram que o ensino da letra cursiva era optativo, não significaria que o aluno deixaria de escrever. Ele continuará escrevendo, mas existem váááários tipos de letras, (seu word que o diga), a cursiva é apenas uma delas. O aluno continuará a escrever, mas da maneira dele. Fiz caligrafia na minha alfabetização, aprendi a letra cursiva lá e na primeira série do ensino fundamental (hoje, segundo ano) e não utilizo a letra cursiva, utilizo a de forma (a Ana Maria também). Ensinar um tipo de letra não significa que não irei mais escrever, isso é MENTIRA. Apenas deixará que o aluno escreva da maneira que ache melhor e ele terá de saber, mesmo que utilize o computador que está a sua frente.

Dessa forma, meu desabafo está aqui registrado, espero que a intelectualidade brasileira deixe de se meter na ciência que não os cabe. A não ser que se trate de um Noam Chomsky da vida (mas sem árvores, ok?)

Abraços a todos,

Anderson Rabelo

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Palavras

Imagem retirada em http://www.google.com.br/imgres?q=palavras&um=1&hl=pt-BR&safe=active&sa=N&tbm=isch&tbnid=KKCAivPRljXMzM:&imgrefurl=http://blogdobrunoleandro.blogspot.com/2011/05/palavras-apenas-palavras-pequenas.html&docid=ntbd8XDa2dTrKM&w=518&h=507&ei=07k5TvmSEobVgAfm2_zOBg&zoom=1&iact=hc&vpx=592&vpy=365&dur=1940&hovh=222&hovw=227&tx=119&ty=87&page=1&tbnh=136&tbnw=139&start=0&ndsp=24&ved=1t:429,r:14,s:0&biw=1280&bih=709 03 de agosto de 2011

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Palavras

As palavras, quando querem, mentem
e quando mentem são sinceras e eternas.
As palavras, quando podem, matam
e quando matam, é de vergonha.
Palavras são eternas.
Palavras, até mesmo as bonitas, ficam
As palavras não sentem o peso de serem palavras,
mas os ouvidos sentem o peso delas
que pesam ao coração.

Anderson Rabelo

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cabeça



Cabeça

A cabeça é a parte do corpo que te controla.
A parte do corpo que te controla é a cabeça.
A cabeça é a parte do corpo que te controla.
A parte do corpo que te controla é a cabeça.
Se não é ela a parte do corpo que te controla,
Você não passa de um ser influenciável e fraco
Coitado...
A cabeça, pense na cabeça...

Anderson Rabelo

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Aprontando com a Família - Parte I


Aprontando com a Família - Parte I

Estava eu sentado em minha poltrona, quando ouço a voz de Milena dizendo docemente:
-Amooooooor! Tô fazendo a lista dos materiais pro seu aniversário! Quantas velinhas eu tenho que comprar, mesmo? - Eu sei que lá no fundo, ela me ama, mas também sei que ela quis tirar sarro da minha cara. Fiquei mudo, ela e Tobias deram uma gargalhada gostosa, pois eu me vingaria, ah, se vingaria!
Acordei cedo no outro dia. Levei as crianças para a casa dos meus pais para passarem o dia lá. Seis da manhã estava ouvindo meu pai dizer:
- Seis horas! Isso é hora de acordas as pessoas?
- Eu preciso, meu pai, desculpa! - Peguei meu carro e saí voando de volta pra casa para utilizar meus materiais maquiavélicos para me vingar de ter sido chamado de velho.
Subi ao quarto de Sophia, em algum lugar dali eu sabia que Rodolfo estava guardado. (Rodolfo é o ursinho de pelúcia que Milena mais amou/odiou na face da terra) e coloquei na sala. Catei umas molas malucas e um pogobol e coloquei na porta do quarto dela. Consegui um DVD do Rá-Tim-Bum e pus na TV, foi quando ouvi passos na escada. Milena havia levantado.
- Andersoooooon, cadê os meninos?
- Hã, é, amor, levei eles pra casa dos meus pais!
- Que horas? Cedo assim, você é maluco, seu pai deve ter virado uma fera!
- Que nada, moreco, desce aí! - Escutei um grito:
- Aaaaaaiiiii, um pogobol!!! Que lindo!!! - Fiquei feliz, meu plano estava dando certo! Ela perguntou:
- Que que tá passando na TV? Rá-Tim-Bum? Gente, quanto tempo!!! - a cada descoberta de brinquedos antigos que Milena fazia, eu me empolgava mais com o brinquedo e menos com a vingança, no fim, terminamos brincando com tudo o que estava largado pela casa. Elástico, Pogobol, Lego, Pula-Pirata, Tazzo, até a hora que ouvimos a campainha e fui abri a porta. Eram meus pais, já passavam das vinte e três horas. Pendurados no colo do meu pai, Tobias e Sophia, de olhos esbugalhados. Meu pai falou:
- Voltaram à infância? Vocês não acham que estão velhos demais para isso? - Tobias e Sophia seguraram até a hora de meu pai e minha mãe irem embora e, assim que a porta se fechou, os dois gritaram:
- VELHOOOOOOOSSSSS!!! - Explodiram em risos, eu e Milena nos olhamos, os agarramos e fomos mostrá-los a verdadeira forma de se brincar. Nós velhos é que sabemos como nos divertir!

Anderson Rabelo

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Conversando com Tobias - Parte III - Nomes


Estava lavando os pratos do jantar, quando, de repende, ouço aquele chamado firme e carinhoso:

- Mamãe!

Prontamente enxuguei as mãos, me aproximei e respondi:

- Diga, filho...


- Me diz uma coisa...


- O que você quiser...


- De onde você e o papai tiraram o meu nome?


- Por que a pergunta, meu filho? Tá insatisfeito? - Respondi, na esperança de esfregar aquela situação na cara de Anderson com todo o prazer. Mas tive meus planos frustrados quando Tobias respondeu:


- Não, mamãe! De maneira alguma. Na verdade, estou bastante satisfeito. Conheço poucos Tobias, o que me faz sentir único, especial.


- E você é, meu bem. Mas... então qual é o problema?


- Nenhum. Curiosidade, ué, não pode?


- Claro que sim, meu anjo! - Respondi, tentando ganhar tempo para organizar a minha fala - Bom, deixe-me ver... Na verdade, a ideia foi de seu pai. Ele encarnou, desde o início do nosso namoro, que queria, porque queria, que seu nome fosse Tobias.


- Mas, por que?


- Segundo ele, porque lembra aquele famoso poeta Tobias Barreto, porque remete ao interior chamado Tobias Barreto, onde mora parte da família dele e, por fim, porque é um nome Bíblico.


- Hunn... bacana! E você concordou assim, de imediado? Porque, venhamos e convenhamos, não é um nome muito convencional.


- Pra ser sincera, não, filhote. Eu até gostava do nome, mas achava que você seria perturbado pelos seus colegas na escola. Só aceitei quando vi o significado: "Deus é bom".


- Massa o significado!... Mas... Por que eu seria perturbado, mesmo?


- Você sabe...


- Sei?


- O povo iria associar você àquele personagem do charges.com, o Tobby entrevista.


- Ahn? Boiei, mãe! Que charges? Que Tobby? Só quem me chama de Tobby é vovó Alanete. Do que que você tá falando?


- Aquele programinha, meu filho, em que o Tobby entrevistava famosos.


- Nunca vi mais gordo, mãe. Isso é coisa da sua época!


- Como assim "coisa da minha época", menino! Tá me chamando de velha?


- Jamais, mamãe! Mas, vamos combinar que você já tá com uns pezinhos de galinha beirando esses olhos verdes...


- Pezinhos de galinha???


- É, mamãe! Fala sério! O que você esperava? Você já passou dos 30, minha velha!


- "Minha velha"? Não existe mais respeito dentro dessa casa!


- Heeheheheh! Calminha mamita!


- Agora eu me irritei! É pra falar de idade, é? É pra falar de velho? Então vamos jogar limpo nessa estória.


- Amooooooor! - Gritei por Anderson que assistia "Two and a half man" na sua cadeira do papai.- Tô fazendo a lista dos materiais pro seu aniversário! Quantas velinhas eu tenho que comprar, mesmo?


Anderson calou-se e Tobias explodiu em gargalhadas.



By: Milena Farias

Conversando com Sophia - Parte III - A Hora do Banho


- (Cantarolando) Tchau preguiça, tchau sujeira, adeus cheirinho de suoooor...
- Qual é, mamãe, que você tá aí cantarolando desse jeito?
- O que que você acha, gracinha? Ora do banho, ué, já devia saber....
- Ihhhhhhh! Nem vem que não tem! Não tomo banho nesse frio mas neeeeem...
- E você lá tem vontade própria? Vai tomar, sim, e acabou!
- Vixe, mamãe! Pra quem não gostava da fruta, você até que virou uma bela de uma defensora, viu?
- Como é que é a estória, Sophia?
- É isso mesmo! Meu pai me contou tudo!
- Tudo o quê exatamente?
- Tudo. Que quando vocês namoravam você não tomava banho. Quer dizer, até tomava... mas, nos dias frios, chiaaaava antes...
- Ora bolas, mas esse seu pai vai ouvir. Onde já se viu, falar uma coisa dessas pra você.
- Ah, mãe, largue de besteira! Eu e o papai somos amigos íntimos!
- Amigos íntimos... sei... Agora, as histórias dele ele não conta, não é? Já te falei daquela vez que ele foi para o Rio de Janeiro e passou uma semana....
- Já mamãe. Já. Mais de mil vezes.
- Afff... também não precisa ser grossa!
- Olhe só, mãe, de qualquer modo, o que eu tenho percebido é que você e o papai, quando eram jovens...
- Como assim "quando eram jovens"? Eu ainda estou na flor da idade, meu bem!
- Sim, você entendeu... Antigamente, vocês tinham autonomia para decidir quando iam tomar banho. Eu também quero decidir que dia...
- Diaa???
- Tá, tá... que horas fazer minha higiene pessoal. Eu também tenho meus direitos.
- Ahhhhh! É mesmo? Pois eu quero lhe dizer que você está muito desinformada, mocinha! Desde quando, essa casa é regida pelas leis da democracia?
- Ahn? Mas eu sempre soube que ela era...
- Pois é! Falou bem: "era". Pois eu acabo de dar um golpe de Estado e, a partir de agora, o regime é de ditadura e, por sinal, eu aconselho, pro seu próprio bem, que você adiante logo esse banho, porque senão a repressão vai começar!

By: Milena Farias