terça-feira, 16 de abril de 2013

O rapaz e a nota fiscal


O rapaz e a nota fiscal


O rapaz entra na loja para saber de uma compra que havia feito.
- Boa tarde, gostaria de saber se o pedido que fiz já chegou.
- Opa, trouxe a nota fiscal?
- Não.
- Hum, olha, você vai ter que falar com o Marcos, mas precisa da nota fiscal.
- Legal, o Marcos está aí?
- Não. – O rapaz pensou num futuro alternativo. E se ele dissesse que tinha a nota?
- Boa tarde, gostaria de saber se o pedido que fiz já chegou.
- Opa, trouxe a nota fiscal?
- Sim.
- Massa, você precisa falar com o Marcos. Ele fica sentado ali no balcão.
- Legal, tô indo lá.
- Ele não está. – O rapaz pensou em outro futuro alternativo.
- Boa tarde, gostaria de saber se o pedido que fiz já chegou.
- Opa, trouxe a nota fiscal?
- Trouxe.
- Mas o Marcos não tá aí!
- Quem é o Marcos?
- O rapaz que você tem que falar sobre o seu pedido. – O rapaz pensou em outro futuro alternativo.
- Boa tarde, eu trouxe a nota e quero saber do meu pedido. Cadê o Marcos?
- Oi, pode falar.
- Quero saber do pedido que eu fiz e ainda não chegou.
- Trouxe a nota?
- Puta que pariu, não disse que já trouxe?
- Procure o...
- Marcos, cadê ele? – falou com certo tom de raiva e pressa na voz.
- Calma senhor, o Marcos está ali, mas não se altere. Marcos, esse senhor quer saber do pedido dele.
- Ok, trouxe a nota? – pergunta Marcos.
- Eu trouxe. – exprimiu uma voz agoniada com aquela conversa.
- Tá aí?
- Tá! – deixou a voz num tom mais agudo ainda demonstrando irritação.
- Deixe-me ver. – Olhou a nota, olhou, olhou e disse:
- Você precisa trazer uma cópia do pedido. – O rapaz, com raiva, acordou dos seus pensamentos que permaneciam num loop infinito. O vendedor falava:
- Senhor, senhor, senhor, o que está sentindo? – Prontamente o rapaz respondeu:
- Nada, nada. Desculpe, só preciso da nota, né?
- Sim.
- Trago amanhã.
No outro dia, o rapaz chegou com nota e cópia do pedido, encontrou aquele mesmo vendedor:
- Bom dia, lembra de mim? Gostaria de saber se o pedido que fiz já chegou. Trouxe a nota e a cópia do pedido.
- Tudo bem, senhor. Me acompanhe, vamos falar com o Marcos. – o vendedor apresenta:
- Marcos, esse rapaz quer saber se o pedido dele já está sendo entregue.
- Muito bem, como é o seu nome completo?
- Lucas da Costa Gonzaga.
- Hum, vejamos, vejamos... pois bem, Lucas. Seu pedido está sendo entregue neste momento na sua casa.
E foi assim que aquele rapaz não precisou da sua nota fiscal para nada. Reza a lenda que Lucas não pode mais ouvir a palavra Nota Fiscal que entra em crise nervosa aguda. Porém, essa pode ser uma outra história.

Anderson Rabelo

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Notícia de Jornal






Notícia de Jornal

Um fulano que se aproveita de alguém,
Uma tia que na verdade é homem,
Um homem peão de Xadrez escondendo o Rei
e um público cego.
Assim surgem as notícias.

Anderson Rabelo 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Uma (entrevista) rapidinha









Uma (entrevista) rapidinha

Certa vez um apresentador de um talk show convidou um grande músico para ser o seu entrevistado. No dia marcado, o apresentador começa o seu programa:
- Hoje vamos entrevistar o músico brasileiro que tem cinco discos lançados e faz um sucesso enorme fora do país. Vem pra cá Marcos Ribeiro. – a plateia aplaude a entrada do músico enquanto uma bandinha toca uma música de entrada. O apresentador e o músico sentaram-se e começaram a entrevista.
- Tudo bem?
- Tudo!
- Então, você é um músico renomado dentro e fora do Brasil, ainda está morando no país?
- Não.
- Está morando onde?
- Suécia.
- Olha que legal! E lá, você tem feito muitos shows?
- Sim.
- Conta um pouquinho de como é ser músico e brasileiro lá fora!
- É bom.
- Só isso? Bom?
- É! Bom.
- Tudo bem, então. Você é casado?
- Sou.
- Ela é brasileira?
- Não.
- Ela é de onde?
- Suécia.
- Como se conheceram?
- No bar.
- Pode falar mais sobre como se conheceram?
- Ela era garçonete.
- Hum, e ela te acompanha nos shows?
- Às vezes.
- Ela está aqui?
- Não.
- Vocês já tem filhos?
- Sim.
- Quantos?
- Um.
- Pretende ter mais?
- Não. – O apresentador decide mostrar as fotos da infância do músico na esperança de comentários mais prolongados. Primeira foto:
- Olha, que bonitinho!
- Sou eu.
- E nessa outra foto, cadê você?
- No meio.
- E ali, quem é?
- Meu pai.
- E ali?
- Irmão.
- Quando foi essa foto?
- Há muito tempo. – dando ênfase na fala, o apresentador pergunta:
- Quanto tempo?
- 25 anos.
- Nossa. Bem, acabaram as fotos. Tem algum comentário a fazer para os seus fãs brasileiros?
- Obrigado!
- Só?
- Só.
- Bem, eu conversei com o Marcos Ribeiro, famoso músico renomado dentro e fora do Brasil e, ao fim do programa, ele irá tocar uma música para a gente que é...
- Samba de uma nota só.
- Fazer o quê? Vamos para os nossos comerciais!


Anderson Rabelo

segunda-feira, 18 de março de 2013

C(ry)lown



C(ry)lown

Quem vê o palhaço sorrir e dele ri,
não viu a lágrima que tudo principiou no camarim.
Triste fim.

Anderson Rabelo

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal

Feliz Natal







Geralmente não sou de fazer textos de Natal, mas esse ano é diferente, gostaria de desejar algo sincero a vocês.


 Não quero desejar simplesmente um Feliz Natal com magia, com encantamentos, com delícias. Não quero simplesmente desejar Feliz Natal porque a época nos obriga a dizer. Quero desejar a todo mundo o nascimento de Cristo nas manjedouras dos nossos corações. Final de ano é a época que todos ficam bonzinhos, mas também só aí. Ser bonzinho apenas nesta época, pra mim, não interessa, imagina pra Jesus.
            Sabemos que essa data é simbólica, mas ela tem um efeito instigante nos homens, o de nos fazer refletir. Então proponho a todos vocês esta reflexão diária, não apenas até o ano novo, mas que se perpetue e ultrapasse as barreiras do carnaval nos tornando boas pessoas perenemente. Jesus quer nascer todos os dias no coração da gente, mas, como no Evangelho de hoje, dizemos que não há vagas, que só temos (quando temos) o estábulo e rejeitamos a bênção de uma renovação em nossas vidas.
            Sinceramente, quero que Jesus nasça em meu coração e quero que cada um de vocês também deseje isso e todo dia seja Natal. Aí sim poderemos ter um feliz todos os dias, pois o dia 25 de dezembro será mais um dia nas nossas vidas, e os presentes, desnecessários, pois saberemos que Deus já nasceu e renasce a cada estação, a cada novo lindo dia e a cada olhar de um irmão que passa por nós e não temos coragem de desejar bom dia.

Com amor a todos vocês desejo feliz natal,

Anderson Rabelo

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Aquele sorriso






Aquele sorriso

Aquele sorriso traz alegria,
traz vida ao coração,
traz sabores e delícias que outrora não eram tão comuns.
Aquele sorriso traz brilho nos olhos
que só um teatro de bonecos é capaz de trazer
aos olhinhos da criança perdida no adulto.
Aquele sorriso é mágico,
é belo,
encanta.
Aquele sorriso cativa
lembranças.

Anderson Rabelo

Reflexões sobre a paixão


                            



Reflexões sobre a paixão


     Antes de começar a corrigir provas e mais provas, preciso escrever sobre algo que vem me inquietando que é a paixão. Paixão vem do Latim Passio e do Grego Pathe. No latim, significa sofrer, no grego, sentir algo que seja bom ou ruim. Desse modo, todos nós nos apaixonamos. Sentimos algo, por mais que sua mente insana grite: “lá ele”, você sente algo sim. Mas esse texto não deve se tornar algo de baixo nível, eu simplesmente quero falar da paixão que é algo muito ruim de se sentir. Você pode até discordar de mim, mas provarei que estar apaixonado não é tão legal quanto parece.
     Situação: você conhece uma pessoa e se torna amigo dela. Vocês conversam bastante e, de repente, você sente que aquilo não é só amizade, existe algo mais que ninguém esperava. Há um sentimento redundante, etimologicamente falando. Você sente paixão. Sente duas vezes. Uma por você e outra pelo outro que você nem sabe se está interessado. Eis que começa o jogo desesperador. E agora, como saber se o outro está interessado?
     Meu amigo(a), a resposta é apenas uma: não há como saber. Existem pistas que são deixadas e você deve estar atento, mas você está apaixonado, tudo é pista na sua cabeça. Qualquer toque, qualquer gesto diferente é motivo para você entender que aquilo é um sinal. Compartilho com vocês a minha angústia de nunca conseguir entendê-los, sou péssimo nessa situação e a minha timidez ataca gritantemente nesse momento. Sempre é mais fácil para alguém que está de fora perceber a situação, mas vá por mim, você não vai ficar se abrindo pra todo mundo, né?
     Estar apaixonado é algo que não recomendo a ninguém. Principalmente se for alguém tímido que nem eu. Vai se embolar na fala, vai falar o que não deve e, finalmente, vai perder a pessoa querida para o nada, simplesmente por o outro lado da corda se cansar de tanto tempo perdido (seja por se fazer – inconscientemente – de abobalhado, seja por demorar tempo demais esperando sinais) porque ela esteve mesmo apaixonada por você reciprocamente e isso vai doer, vai sim, pode esperar sua carne ser cortada e exposta ao sol cruamente. Creio que estejam se perguntando: “Não é possível, esse cara está apaixonado.” Respondo: Pra que procurar saber se estou apaixonado e se estou catando sinais de alguém? Pra que perceber nas entrelinhas que eu gosto de alguém e, no fundo, todo esse texto é, na verdade, uma tentativa de autoconvencimento de que apaixonar-se é algo ruim, e perceber que na verdade, essa é a parte mais gostosa de um pré-romance e, no fundo, no fundo eu nem sei se sou correspondido e nem sei se ela sabe disso? Não queira descobrir, no final dessa leitura, que tudo o que escrevi desde a linha quatro até o início da trinta e um é mentira se não, eu tenho certeza de que você vai se apaixonar.

Anderson Rabelo

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Alquimia Global

                                                                                                             (Seu nome? Segredo!)


Alquimia global

A mistura de olhos e sorriso lindos
dá numa química perfeita entre foto e observador.
O melhor disso tudo é que há uma distância segura entre os dois,
mas que não impede a caneta do poeta,
nem seus dedos no teclado
de escrever, descrever a doçura de um olhar impactante
e o impacto de um sorriso adocicado visto na tela do computador.
É, até que a tecnologia serve para algo mais que globalizar.

Anderson Rabelo

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Reflexões sobre a feiúra





Foto by: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgca_wrIWHUlhndWG_afT4AmMu5t_T_iCnRoiVS8iOO3BEUcQIy8JtfHneP9KF6XFGHel9xgTiuGOWZp49YSSPYhMN0lcBKZ2jyIP_Uct9vctbFH18ZTOtSjeurGGbV-ei0QPF9k_YoRIc/s1600/feio.jpg


Reflexões sobre a feiúra

     Esse texto não fala de você ou de alguém que você conheça. Não trata-se também de autoajuda. São reflexões sobre o comportamento de um ser específico inserido em uma sociedade democrática e ditadora.
     Ele nasceu e, até determinada idade, era paparicado por todas as mulheres, era o rei da cocada preta, afinal, era uma criança. Cresceu e a puberdade lhe dera espinh
as, cravos, dentes tortos (ok, isso não é culpa da puberdade, mas sou livre para colocar aqui, afinal, o texto é meu e não seu!), descobrira-se feio, adeus paparicos (faço uma exortação às crianças: Aproveitem as mulheres enquanto podem. Quando crescerem, podem, não mais, ter isto - a não ser que seu pai seja rico e/ou você possua um camaro na garagem). O pequeno feio era um doce. Puro, lindo - por dentro - mas por ser puro, nada que falasse agradava. Para piorar, era gordo. Apaixonou-se algumas vezes, porém frustrava-se sempre. Elas nunca o queriam. É aqui que pretendo deter-me.

     Todo feio é excluído da sociedade. A ele é dado os papeis mais toscos das novelas, a eles é imposto o caráter atrapalhado da história. O feio, se quiser se dar bem, necessariamente tem de ser inteligente - e essa é a melhor e a pior das imposições de uma sociedade democrática, que da democracia, só o demo. O belo já está lá, não necessita de esforços. A eles estão reservados os melhores lugares e as melhore mulheres - aplique isso ao ser feminino também. O feio assusta.
     A feiúra espanta possibilidades. Possibilidades de conhecer um bom coração, um bom ser humano, uma boa conversa. Em festas, o feio não é rei (peço licença às mulheres, as feias, dependendo da noite e do grau etílico, ainda saem no lucro, isso é um fato!). O feio é parceiro da convivência, só por ela é possível descobrir a inteligência por trás daquele desprovido de boa fisionomia (termo politicamente correto, haha). Só então, as chances dele se equiparam ao do belo (quem sabe até não ultrapassa). Aí surge a obrigação de ser inteligente, surge uma obrigação boa, mas difícil. "Grandes poderes trazem grandes responsabilidades", peço licença ao Tio Ben do Homem Aranha para utilizar sua frase que não é argumento de autoridade, mas traz verdade. Ser inteligente dói. Da cabeça de um feio (e gordo) surgem ideias e ele tem a consciência de que necessita de um tempo para se fazer bonito. Inteligência agrada, mas com o tempo. Mais uma vez afirmo: inteligência dói.
     Existem pessoas que querem simplesmente ser, sem obrigações de saber - e não lhes atribuo culpa, afinal, se todos fôssemos intelectuais, seríamos ótimos insuportáveis escrevendo reflexões, reflexões e não chegando a lugar algum. Defendo o direito de ser feio e feliz. Ser inteligente apenas por prazer. Observem mais os feios. Eles são legais, acreditem! Esta é apenas uma reflexão que não deve levar a lugar algum. Se você é bonitinho, reflita um pouco, talvez você ache algo interessante no meio dos seus pensamentos.

Anderson Rabelo

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Olhar de Jabuticaba



Olhar de Jabuticaba


Quando os olhos invadem os outros,
a doçura de duas jabuticabas a alma experimenta.
E o sorriso lindo, de dentes brilhantes e lábios bem feitos
cativa os pensamentos do mais simples dos poetas
que rabisca, apaga, escreve e pinta.
Desenha e escolhe a melhor forma de dizer-te com letras naturais.
De construir-te em tons rebuscados,
De dizer-te bela, linda, fenomenal, com tons pouco incisivos,
mas que mostrem carinho.
Olhar de jabuticaba são gotas da fruta pequena e saborosa
que adoçam o paladar de minh’alma
e trazem, do universo das palavras,
toda a sua descrição
que circula minha mente,
mas que as mãos não ousam riscar.

Anderson Rabelo

sábado, 28 de julho de 2012



Teus sonhos (d)escritos

A caneta risca as linhas
E os traços não sabem o que perseguir.
Os olhos buscam inspiração bem longe,
além das fronteiras entre o saber e o divagar.
E a luz se acende diante dos olhos,
E o sabor das letras passam por entre os dedos
E o seu gosto é de desejo de voltar de onde não deveria ter saído.
E os sonhos são de menina apaixonada,
De quem deseja apenas sua coberta,
Um copo de leite de manhã
Um beijo de quem se importa
E, no papel, dizer que sonha,
Bem bonito.

Anderson Rabelo

Olimpo



Olimpo

O olhar perdido nas nuvens cinzas que trazem lágrimas.
O peito aberto diante de uma música suave nacional.
A mente viajando nas doses de whisky engolidas pelo tempo.
A paz da noite reinando enquanto uma gota de chuva escorrega pelo rosto revelando que não há paz.
As pernas estiradas tentando relaxar o corpo, quando na verdade é a mente que está cansada.
A luz da lua adentrando timidamente a sala, buscando o amor daquele homem descrito acima que achava que ninguém o queria.
O céu oculto, fazendo a sua parte separando os deuses dos mortais.


Anderson Rabelo

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Criatividade





Imagem retirada do site: http://marcianassrallah.com.br/?p=1379 Acesso em 22/06/2012.

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CRIATIVIDADE


Criatividade
     atividade
          idade
               de
Cria


Anderson Rabelo