terça-feira, 27 de outubro de 2009

Entrevista com Tonho Matéria


Este semestre estou pegando uma disciplina chamada Literatura Africana. A professora nos passou como trabalho, escolhermos músicas que falem da África e/ou sua cultura e minha equipe escolheu a música Akhenaton e Nefertiti. Consegui entrar em contato com Tonho Matéria, cantor e compositor e autor da música e pedi para fazer uma entrevista com ele por e-mail. Me senti tão contemplado com as respostas que resolvi pedir para postar a entrevista neste blog e espero que vocês gostem assim como gostei muito. Mais uma vez, agradeço a Tonho Matéria por ter concedido essa pequena "entrevista".
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Akhenaton e Nefertiti

Primeiramente, queremos agradecer por nos conceder essa entrevista e ressaltar a importância da sua música para o resgate e manutenção da cultura Negra soteropolitana por revelar uma identidade forte que nos influencia em bastantes áreas que nem sabemos e estudando descobrimos mais e mais e mais.




1. Antes de entrarmos na música Akhenaton e Nefertiti, gostaríamos que primeiro você pudesse traçar um pouco da sua história até chegar ao Olodum.

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Tonho Matéria: Então vamos lá. Eu me chamo Antonio Carlos mais em arte Tonho Matéria, nasci no bairro de Pau Miúdo e desde pequeno sempre me inclinei para a música e assim fui participando de alguns terreiros de candomblé para aprender a tocar porque eu queria ser percussionista, mais isso depois tirei da cabeça e busquei a capoeira e em seguida fui participar de alguns grupos de samba junino: Pagode dos Fiáis, Ôba Ôba, Coruja Junina, Ganzá, Obatalá e blocos afros e afoxés como: Ébano, Amantes do Reggae, Afreketê, Ilê Oya, Omolu Ilê, Oyá Ilê, Ara Ketu e até chegar ao Olodum.

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2. Qual a sua relação com a cultura africana?

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TM: Como negro tenho uma obrigação de me relacionar com a cultura africana. Muitas pessoas acham que se relacionar com a África é fazer parte do candomblé ou da capoeira, o que é negativo. Na verdade se relacionar com a África é manter-se vivo em afirmação identitária e preservar as matrizes ancestrais e é o que eu faço, busco na relação africana a minha consciência negra de sempre manter vivo os elementos simbólicos da África negra e tento passar para meus alunos na capoeira e para o meu público na música quando estou em apresentação sonora ou até mesmo nos meus discos.

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3. Enfim, com tanta variedade na cultura africana o que te levou a escolher o tema Akhenaton e Nefertiti?

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TM: Sempre fui curioso para descobrir coisas da África até então não comentado em músicas. As pessoas acham até hoje que o Egito não é na áfrica e por isso escrevi varias canções falando em personalidades ou lugares deste país. O Olodum sempre cantou o Egito e escolheu o tema Akhenaton e Nefertiti um casal solar, e como sempre eu debatia com João Jorge sobre as temáticas do bloco para o carnaval, o que temos para falar, apresentar, qual forma de discursos iríamos propor etc. Aí me veio a idéia de escrever esta canção que levei quase três meses para terminá-la. Preferi me aprofundar mais no tema e entender todas as questões sociais, culturais, políticas e religiosas do Egito antigo. Amo as divisões monoteístas e politeístas. Então, por acaso, no aeroporto de Recife indo para a Europa, eu comprei um livro: Nefertiti e Akhenaton do autor Christian Jacq e quando eu terminei de ler já tinha entendido toda a história do pai de Tutankamon, ai foi só escrever a canção da forma que eu imaginava. O Olodum ainda não tinha divulgado para o pessoal o tema mais eu sair na frente porque iríamos gravar o DVD e já queria estar com uma música falando do tema que o bloco iria apresentar no carnaval. De fato esta canção é de dupla nacionalidade, brasileira e italiana kkkk. Terminei-a na Itália.

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4. Qual sua opinião sobre o cenário musical baiano atual? E quanto aos grupos que trazem elementos do candomblé em suas letras? Nessa pergunta eu lembro desde Carlinhos Brown até os novos pagodes baianos.

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TM: A musicalidade baiana é bastante rica, mais está sendo mal explorada. É preciso ousar mais, ter mais criatividades. Principalmente a galera do pagode que estão com toda bagagem popular nas mãos, mas não conseguem sair daqui de Salvador, são poucos que conseguem furar o bloqueio, e isto, simplesmente por não entenderem que fazer música não é brincar com sentimentos e não é diversão, a gente se diverte com a musica, mas fazer musica é se comunicar com os sentidos do imaginário, é transportar alguém para o universo dos sentidos e fazer viajar num mundo desconhecido, é fazer o individuo reviver a sua historicidade. Pensar que já esteve naquele lugar sem nunca ter ido. Eles pecam nesse sentido, quando não falam do amor com amor e só propagam sexos e drogas, e isto não é música.

Quanto aos elementos do candomblé nas músicas é uma forma de divulgar o que a cultura do candomblé tem. Já que a história do negro precisou de uma lei para ser ensinada nas escolas, então os artistas conscientes vão manifestando seus rituais dentro das letras das músicas. Isto é uma forma de correio nagô, de boca em boca. Não sou contra não. O que não gosto é quando se cantam os segredos do candomblé, por exemplo: Contra “EGUN”, falar dos segredos de “EXU”, etc. isto não acho legal não. Eu também faço citações a alguns símbolos do candomblé mais com cautelas e cuidado para não desagradar nem o povo do axé e nem os orixás.

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5. Uma coisa que me inquieta bastante, o que você acha dessa ligação quase que sinônima de África e candomblé?

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TM: Acho um erro de consciência coletiva, uma falta de visão e percepção. Imagine se em toda a África fosse só um mundo de rituais. Com certeza no mundo, o candomblé estaria na frente de todas as outras religiões, tanto no quantitativo como no coletivo. Esta é uma forma de pensamento eurocêntrico que numa lavagem cerebral nos deixou como herança todas as formas de desconstrução cultural e assim vivemos ate hoje, acreditando que o candomblé é coisa do diabo, que leite com manga mata, que o boi da cara preta mete medo em criança, que devemos trabalhar sempre para homens brancos e se curvar a eles sempre que ele estiver por perto, etc. a igreja católica muito contribuiu para este mal.

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6. Em relação ao momento presente, como você enxerga o modo como a cultura africana ou as heranças africanas são tratadas nos espaços que se proclamam “valorizadores das raízes africanas e/ou do povo negro”?

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TM: Numa visão critica, percebo que tudo que se diz respeito à cultura negra é usado como folclore.

Todos negam a cultura negra, todos mesmo. As empresas privadas quando dão patrocínios é impondo seus conceitos e tudo tem que ser de acordo à suas exigências. O governo cria editais para a cultura negra, mas o mesmo não da aceso ao negro que vive em comunidade e que nunca cursou uma faculdade; As políticas culturais não são direcionadas para esses negros como deveriam ser de fato. As ações afirmativas não conseguem sair do papel e os benefícios nunca são direcionados aos negros.

Deveríamos ter aqui em Salvador um museu que guarde a memória africana, ruas com nomes de negros que se destacaram na política, nas revoltas populares, na capoeira, no candomblé, no samba de roda. Tínhamos que ter monumentos da história da escravidão em lugares públicos para os jovens terem acesso ao conhecimento, e conscientizar esses jovens sobre a memória dos seus antepassados. Enfim, a nossa herança está mal cuidada.

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7. Já que entramos um pouco nessa questão do movimento negro, então, em que medida você considera importante, em relação à época atual, a valorização desse grupo na sociedade brasileira de hoje?

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TM: Quando se tem um pensamento coletivo em que todos façam do movimento negro um “negro em movimento”, plagiando Mario Nelson, assim como foi Zumbi (Zambi), Dandara, Alqualtune, Luiza Mahin, Abdias do Nascimento, Mario Gusmão, Grande Othelo, Manoel Querino, Cruz e Souza e tantos. Vale apenas lutar pelos ideais, mais o que percebo hoje em dia é ainda uma forma de buscar desolada. As entidades ligadas ao movimento negro não mais se preocupam com o coletivo e percebo isto na marcha do dia 20 de novembro, na passeata dos filhos de santos, nos debates dos capoeiristas e tantos outros manifestos. O movimento que era apolítico se politizou e se dividiu demais e agora cada facção luta por políticas partidárias isoladas. E quando um negro sai candidato a algum cargo político esse movimento não consegue elegê-lo. Alguma coisa está errado nisso. Vi isso com Vovô do Ilê, Samuel Vida, Clarice, Bujão, etc.

Lembro das canções dos blocos afro quando os autores diziam: “Não se importe negro, a verdade vencerá, sua cultura é completa e seus deuses são vivos” Gilson Nascimento. “Se houver barreiras pulo não me iludo não, sem essas de classes do mundo, sou um filho do mundo, um ser vivo de luz” Suka. Então esses versos me levavam a crer que éramos capazes de lutar e de vencer e quando a vitoria chegasse todos seriamos unidos por um só ideal, construir uma sociedade com LIBERDADE de expressão com IGUADADE e muito FRATERNIDADE mais isto não vejo mais nos movimentos, a luta agora é pelo poder, pelo status, pela democracia particular. Estes blocos também ajudam a construir um movimento de apartheid, talvez inconscientemente. É só olhar para seus quadros de funcionários.

Assisto aos programas nas TVs e só vejo o povo negro sendo massacrado, genocídio, extermínio todo dia e nada se faz para dar um basta nesta violência, à gente só fica falando: ”nossa como a cidade estar violenta”. E nada se faz para diminuir este sinistro quadro. Agora é a hora de o movimento ir a TV e convidá-los para debatermos de perto sobre a problemática que ocorre nas ruas, nas comunidades, nas favelas, na falapitas, enfim, buscar uma solução mais direcionada e ter uma solução, vamos criar um programa sócio-educacional junto com as comunidades, vamos dividir os milhões dos cofres públicos com ações afirmativas direcionadas ao povo que a violência acaba e se o movimento negro buscar este entendimento direto com o governo, empresas, mídia, etc. com certeza acabaremos de uma vez com a proliferação do trafico de drogas e seus efeitos terminais em nossas comunidades.

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8. Considerações finais

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TM: Acreditado na esperança de um dia ser visto pela sociedade como um indivíduo que através da arte promoveu cidadania com as ações desenvolvidas pela música, pela capoeira e pela publicidade. Acredito que ainda posso dar de mim para fazer fluir novos atores com mais consciência política e acima de tudo com caráter.

A capoeira me deu tudo que eu quis na minha vida, e o melhor de tudo foi saber que lutar através da capoeira contra todos os tipos de discriminação nesta sociedade que ainda não nos enxergam como seres humanos foi a maior vitória da minha vida. Saber que através da capoeira coloquei um aluno (Eder, na capoeira Dimenor) no filme BESOURO fazendo o papel de Besouro ainda na infância, e colocar outro no filme Capitães de Areia, isto é mais que gratificante e isto é fazer movimento negro, ou seja, é colocar o negro em movimento.

Como presidente da Associação Sócio-Cultural e de Capoeira Bloco Carnavalesco Afro Mangangá eu só tenho agradecer pela oportunidade. Espero poder participar das palestras principalmente falar sobre a musicalidade e a cultura negra, será um maior prazer.

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Obrigado,

Salve camará!!!

Tonho Matéria


domingo, 18 de outubro de 2009

Dois nomes




Dois nomes

Tempo vai e não vem
contando as horas,
meses, anos a fio.
Humor levado a sério
e a verdade virando piada.
Enfim o encontro das horas com o minuto
flechado pelo segundo eternizado
quando levado à sério,
preto no vermelho
cores do tempo,
verde com castanho
olhos que se fecham
beijo.

Anderson Rabelo

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Seris


Seris

Ria
Seria séria
Sombra d’alegria
Sorvendo a água
Sede que se ouvia
Se sentia e sorria
Corria ao pote dos desejos.
Seria séria
Luz de uma vida
Sorriso que brilha
Brilha, brilha, estrela
Som e sol,
Seria, se ria, se ia
E assim, ia...

Anderson Rabelo

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vela


Vela

A chama da vela
vela e chama
a noite toda pra ela:
a vela.

Anderson Rabelo

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cores


Esse poema é pra esse sorriso lindo que não pode NUNCA ficar cinza!!! Bjão Verena! ^^

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Cores

Cinza é chuva, mas o lindo é o céu azul
Cinza é página policial, mas prefiro caderno 2
Cinza é tristeza, mas prefiro as cores do palhaço
Cinza é seriedade, mas prefiro o vermelho do batom
Cinza é dureza, mas prefiro o brilho dos seus olhos (felizes)
Cinza é uma única cor, mas prefiro as cores do arco-íris
E a cor do seu sorriso que reflete todas as cores.

Anderson Rabelo

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Em quadrados enquadrado




Em quadrados enquadrado

Ando em quadrados,
enquadrado nos meus passos
passeando nos avessos,
preto e branco,
chuva e vento
pouco tempo e muito tempo,
paciente e vivendo
caminhando e vencendo.
Ando em quadrados,
vivo livre.

Anderson Rabelo

domingo, 27 de setembro de 2009

Nós



Foto disponível em http://diariodeumcaranguejo.files.wordpress.com/2009/04/20080527214032555.jpgAcessado em 27 de setembro de 2009


Quem deu o título desse poema foi minha musa, Helainy! rsrsrsrsrs
bjo linoca!


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Nós

uma vida
em dois dias
podem ser dias
de uma vida inteira,
mas apenas dois
como nós dois
numa noite longa
pra uma vida curta.
Como diria o Herbert
e eu o repito.

Anderson Rabelo

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Foto exibida em http://alegriaaa.wordpress.com/2009/06/15/o-silencio/ Acesso em 22 de setembro de 2009

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Poema sussurrado

Psiu, não fale alto,
apenas ouça o som das águas carregando um sonho.
Shhhh, não diga nada, apenas ouça;
ouça as batidas do meu coração
misturadas aos batuques urbanos de tambores,
aos pés de quem sobe as ladeiras calçando um chinelo
e da água da moringa fazendo o som gostoso da sede.
Silêncio! Ouça o sussurro da noite,
ouça o silêncio dos vivos.
Escute, escute a vida vivendo,
uma agulha caindo,
um ar entrando no pulmão e o sangue escorrendo às veias.
Escute o som do dia passando,
do sol beijando o mar e fazendo tssss, apagando
e dando lugar à noite.
Shhhhh,
Escute.

Anderson Rabelo

domingo, 20 de setembro de 2009

Foto do site: http://slowdown.pixelzine.com/2006/07/ Acesso em 20 de setembro de 2009

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O ato de gostar

O ato de gostar de alguém é engraçado:
não se consegue ter raiva,
não se consegue parar de pensar,
não se consegue ao menos não conseguir escrever.
Só uma coisa se consegue:
não conseguir falar diretamente que gosta.
O que não deixa de ser um não conseguir.
Não consigo dizer que gosto de você demais da conta,
mas consigo escrever que te gosto,
com todo exagero do mundo
e com todos os riscos,
mas gosto
demais.

Anderson Rabelo

Homenagem a um amigo





Pensando na morte...

Não sei se estou ficando mais velho, ou é a vida que está ficando efêmera demais. Ver amigos indo antes do tempo, perceber o luto no rosto das pessoas, e dar valor à vida antes mesmo de ser pai é uma coisa que me faz pensar e recordar a infância, onde todos estavam juntos brincando. Meninos de carrinho, meninas de boneca, todos ensaiando um futuro incerto que, com a brevidade da vida nem chega. Quem se vai pede passagem (ou nem se despede), quem se foi, deixa saudades, palavra única no mundo inteiro, pessoa única no universo inteiro que se esvai mas fica guardado em nossas mentes, que é abreviado, mas é reticências nos nossos corações tornando-se assim eterno enquanto duremos.

Rodrigo meu brother, vai em paz!!!

Anderson Rabelo

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Foto disponível em: http://todosossentidos.files.wordpress.com/2009/01/gota-em-vermelho.jpg

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Vermelho

vermelho é o céu quando o sol nasce (e se põe),
é a cor do meu coração
e dos meus olhos quando fitam seus cabelos,
desejos...

Anderson Rabelo

domingo, 13 de setembro de 2009

Avenidas de Salvador

Foto por Anderson Rabelo



Avenidas de Salvador

Comparo as avenidas da minha cidade a um mar
onde não são todos os que ousam surfar.
Comparo os ônibus e caminhões com Tsunamis
e os carros a meros vagalhões.
Alguns meninos ousam surfar as Tsunamis
sem medo de cair e se afogar no sal do asfalto vermelho.
As ondas não param de correr
e às vezes os redemoinhos provocam vagareza em suas marés,
mas as ondas não param de correr,
não param de correr,
não param de correr,
não param de correr,
nem à noite.

Anderson Rabelo

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Menina pé-de-laranja-lima

Foto feita por Rafael dos Prazeres


Esse poema nós fizemos após vermos esta cena, logo após Rafael tirou a foto.

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Menina pé-de-laranja-lima

Deitada sob as nuvens
num transe hipnótico
ponto fixo, físico
seriedade nos traços do rosto
uma laranja a escorrer-lhe
sumo de somo sobre a testa.

Anderson Rabelo e Rafael dos Prazeres

domingo, 30 de agosto de 2009

Ideias



Ideias

A ideia flui
e o sono: "fui!"

Anderson Rabelo

sábado, 29 de agosto de 2009

Saudade


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Saudade

Saudade é pista de duas mãos.
Quando mão-única,
solidão.

Anderson Rabelo

domingo, 23 de agosto de 2009

Fotos

Atenção galera,

essas fotos passando em slides aqui do lado esquerdo

são tiradas por mim e resolvi exibi-las a vocês para que possam curtir também

um pouco da minha cidade em preto e branco.

Abraços a todos,

Anderson Rabelo

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O relógio de Drummond


O relógio de Drummond

O cara que disse que o tempo não para,
não conhece o tempo,
nem suas artimanhas,
nem o tempo do tempo.
O tempo para nos segundos de prazer
para lazer.
Nos momentos de lazer
para prazer,
nos ponteiros do relógio quando a pilha acaba
e no relógio de Drummond que não tem ponteiros.
O tempo para quando se é eternizado
no saber viver-gozar faz parte.

Anderson Rabelo

terça-feira, 11 de agosto de 2009


Achei o elo que a minha juíza não encontrava!!! ^^
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A juíza e o poeta

O poeta escreve,
a juíza legitima.
O poeta sente
e a juíza julga.
E a união desses dois, forma o elo
que se chama
poetiza.

Anderson Rabelo

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A boca é só instrumento


A boca é só instrumento

Da boca não importa a palavra.

Da palavra importa a mente
refletida no brilho dos olhos
que olham inteligentemente os teus
tentando enxergar a luz da tua sabedoria
e a razão das tuas palavras.

Anderson Rabelo

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Seco tempo


Seco tempo

O seco sabor do tempo
chega a ser suco salgado
sempre que o desejo supera a ação
e o tempo supera a coragem
e o sangue sobe as veias
dançando em um louco são
tão sóbrio quanto bêbado
e é seco o sabor do tempo
que toca a língua e evapora
matando a sede que devora
diversos rios de ponteiros.
Segue o seco tempo sábio
saboroso sem saber ou sabor
na saliva ácida e suave
sem rancor nem satisfações,
satisfeito.

Anderson Rabelo

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Deusa das águas




Deus das águas

Olhos de jabuticaba
brilho de estrela d'alva
sorriso doce como chocolate
timidez que me enlouquece,
entontece:
"Preta, preta, pretinha,
preta, preta, pretinha."
Sono de Deusa,
Deusa do mar que rege as águas
em direção ao continente
que retribui tocando o mar
e a lua lá em cima assistindo
e desejando esse romance pra ela.

Anderson Rabelo

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Risos


Esse poema eu fiz pra voz dessa menina da foto com esse sorriso lindo!!!

Explicações: Ela mora na cidade de Teixeira de Freitas, cujo DDD é 73, eu em Salvador, DDD 71
e ambos estávamos organizando um ônibus para o Rio (ENEL) cujo DDD é 21. O resto é balela!

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Risos

Essa voz falando ri.
Sorrio rindo e vindo
Do Rio (e eu rio
com ela rindo) de janeiro
à Freitas, de dezembro
a Salvador.
De 73 ouço linda
voz limpa rindo a 71.
Em 21, encontros
novos risos, rios rimos
em Rio, vozes batendo papo e feliz,
sociedade dos risos,
no Rio de Janeiro que continua
rindo.

Anderson Rabelo

terça-feira, 7 de julho de 2009

Internetês


Internetês

C
VC
. VC
O VC
MO VC
AMO VC
AMO VOCÊ
AMO VOSMECÊ
AMO VOSSA MERCÊ
AMO VOSMECÊ
AMO VOCÊ
AMOCÊ
AMO
AM
A

Anderson Rabelo

segunda-feira, 6 de julho de 2009

PALAVRAS

domingo, 5 de julho de 2009

A porta



A porta


Eu não sei o que há atrás dessa porta,

ou quem está dentro dela, ou será fora?

Sei que também ficou eternizada, estatizada,

parada nesta imagem congelada numa foto.

A porta representa não apenas um pedaço de madeira

parado, guardando a casa.

Representa também uma ou várias vidas por trás de uma casa

e suas personalidades.


Anderson Rabelo

Métrica

ARTE E VIDA

domingo, 28 de junho de 2009

Para poucos

sábado, 27 de junho de 2009

Nostroego

O teu eu
no meu seu
sonha meu,
ora nosso
e dorme só.

Anderson Rabelo

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Viver



quarta-feira, 17 de junho de 2009

O ser

O ser

O ser é um conjunto de seres;
ser o que sou, o que quero e o que serei.
Ser à ótica, ser no sonho, ser não ser,
ser a questão, os anseios e as faltas deles,
ser perfeito, decepcionante, um herói,
ser todos, não ser ninguém, ser só eu
ser a terra, ser as árvores ou um ponto material,
ser sozinho, acompanhado, meu espelho e minhas loucuras.
O ser, nada mais é que um baile de carnaval;
cheio de máscaras sem saber quem é quem.

Anderson Rabelo

Gráfrica



terça-feira, 16 de junho de 2009

Novidade no blog



Olá galera,


A partir dessa meia noite de 17 de junho de 2009, as fotos que virão junto com o texto serão tiradas ou desenhadas por mim mesmo, esse poema abaixo já é uma foto minha (de mim, dá licença, rsrs). Espero que curtam.

Abraços,

Anderson Rabelo

Há algo

Olhar profundo vidrado no que eu não sei
talvez no sonho que está diante dos olhos
ou talvez na realidade espantosa à sua frente.
Olhar que revela no fundo uma luz,
então há esperança.
com certeza é sonho,
com certeza há sol.

Anderson Rabelo

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Shhh



Imagem do site http://csday.blogspot.com/2007/01/o-silncio-da-morte.html Acessado em 15 de junho de 2009.


Shhh

O silêncio são muitos.
Plural-singular,
ímpar-par,
perfeito na minha hora,
imperfeito pra quem chora.
Façamos silêncio agora.

Anderson Rabelo

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Minha realidade


Minha realidade

Sonhos são realidades inventadas.
Inventos são sonhos realizados.
Realidade nada mais é que sonhar acordado,
Olhar uma garota de cabelos cacheados sorrindo pra você
E poder dizer talvez um dia que ama
E sentir de leve dois rios tocando os lábios.
Minha realidade existe quando eu durmo,
Lá acontece o que eu quero e as escolhas são bem mais fáceis.

Anderson Rabelo

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Normas


Normas

O normal seria a culta,
mas na boca anda a puta
que se dá em todas as classes,
mas na classe A culta
que é uma puta de luxo.

Anderson Rabelo

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Meu canto bom



Meu canto bom

No meu canto de noite, 
quando no meu canto eu descubro um bom canto 
e esse canto é meu, 
eu descubro que meu canto é bom, 
seja ele o canto da sala ou canto das minhas cordas vocais, 
contanto que o canto seja cantado pelos cantos das esquinas, 
por vozes que entoam cantos outros tão lindos quantos os meus ou melhores 
e o meu canto, 
cantinho 
seja igualado a todos os cantos 
no meu canto bom.


Anderson Rabelo

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Saudades



Saudades

Todos sabem que saudade é palavra exclusiva do português
e é palavra de apenas uma semântica no meu dicionário.
Se sinto saudade de você,
é porque você é única no meu vocabulário
e é por isso que sinto saudades

Anderson Rabelo

terça-feira, 26 de maio de 2009

Obreiro


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Obreiro

Dentro do vaso é exposta a obra
forçada pelo cu alheio, tão artisticamente pensado
que o seu dono, antes da arte anuncia a todos:
"Minha gente, vou obrar!"

Anderson Rabelo

segunda-feira, 11 de maio de 2009

(Re) conhecer


(Re) conhecer

É quando a gente não se reconhece
Que o reconhecimento procura se fazer presente
E o conhecer se torna verdadeiro
dentro do enxergar e ver que te conheço de algum lugar.
Não sei de onde, mas conheço e alguém me diz: “daqui mesmo!”
Então a gente entende
que se fazer conhecido se torna no reencontro um reconhecimento.
Bem louco né, pois é, de te conhecer eu te reconheço
e de te reconhecer, reconheço que te conheci!

Anderson Rabelo

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Foto retirada do site http://letrasesilencio.blogspot.com/ (Acessado em 07 de maio de 2009)


Existem flores

Alguém colheu de mim
um pouco da minha alegria.
Estou um pouco menos feliz,
mas ainda há flores.

Anderson Rabelo

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Quem sabe?

Imagem retirada do site http://www.geocities.com/serranho/atelier/image/image.htm (Acessado em 02 de maio de 2009)

Quem sabe?

Teus olhos buscam algo.
Tua boca, não sei, mas teus olhos,
estes me dizem alguma coisa.
Tuas mãos seguram uma pelúcia e teus olhos me instigam.
Tua boca me diz com brilho palavras que não ouço,
mas vejo nos olhos,
insisto,
algo lindo transparece.
Olhar profundo e contente,
olhar vivo e fulminante que os meus olhos não têm coragem de encarar,
mas, mesmo assim, encaro e tento descobrir o que os teus olhos dizem.
Teus olhos dizem mais que o sorriso da Monalisa.
Olhar de amar, de sonhar, de ver o mar,
de sonhar, viver e ser feliz.
Quem sabe um dia não descubra numa convenção de poetas
aquilo que o teu olhar profundo me diz?
Quem sabe?

Anderson Rabelo